Perguntaram-me recentemente
qual seria a importância do Jovem dentro da Igreja. Essa pergunta de pronto
pode receber uma resposta óbvia. A juventude dentro da Igreja cumpre o óbvio
papel de renovação, de manutenção de nossas comunidades. Mas essa resposta,
simplesmente, não me parece justa, em verdade retira do jovem o protagonismo da
juventude, desloca-o para o futuro, e mais ainda retira do jovem a força motriz
que possui no presente. Essa resposta, ainda que parcialmente verdadeira é um
tanto quanto fonte de acomodação.
Deste modo, a pergunta
permanece: Qual a importância do jovem na Igreja? Bom, a catequese dos três
últimos papas (que são os que vivenciei) é muito clara no sentido de entregar
ao jovem o protagonismo dentro da Igreja. Cumpre ao jovem, a óbvia missão de
ser a força motriz da ação evangelizadora, especialmente aquela dedicada
propriamente ao jovem. Por motivos óbvios, cabe ao jovem, de modo mais
profícuo, evangelizar outros jovens. Isso se dá pela proximidade etária, pela
linguagem, pelos modos de vida e contextos compartilhados. Cabe, sem dúvida, ao
jovem, ser semente no meio dos jovens.
Mas confesso irmãos, que
somente isso ainda não me satisfaz. Relegar ao jovem a missão futura e dizer
que é responsável pela evangelização de outros jovens, ainda me parece pouco em
relação ao que o jovem faz e pode fazer dentro da Igreja. Como dito, a
catequese papal tem nos dito que sem a sua face jovem, a Igreja restaria
totalmente desfigurada. Isso nos remete a passagem do jovem rico, da qual o
Papa Emérito, Bento XVI, nos ensina que Cristo pede ao jovem que entregue seus
dons, seus bens, seus talentos. Ora, esse pedido se renova diariamente na vida
do jovem Católico. Cristo nos pede incessantemente a entrega de nossos dos e
virtudes em prol do reino de Deus, isso porque é o Jovem quem empresta vigor,
alegria, força e entusiasmo a toda a comunidade.
Bento XVI ainda nos diz que
legar à juventude somente o futuro da Igreja significa invariavelmente retirar
do Jovem a responsabilidade sobre o Hoje da Igreja. É o que tenho visto, de
modo claro é que o jovem é sim responsável HOJE pela Igreja. Tanto na atuação
nos movimentos e pastorais destinadas ao jovem, como em tantas outras instâncias de suas comunidades, a exemplo a catequese, os conselhos paroquiais,
equipes de liturgia, equipes de canto. O Jovem tem de fazer-se presente em toda
a ação da Igreja.
Mais do que isso, a Igreja
deseja do jovem uma atuação autentica, engajada, alegre, entusiasmada e
comprometida. Ao jovem cabe ser rosto vivo e alegre, cabe a ele ser Jovem dentro
da Igreja. Não pode o jovem perder seu vigor juvenil quando adentrar as portas
da Igreja. O jovem tem que sim manter sua juventude e alegria dentro dos
espaços eclesiais, mas respeitando também os hábitos e costumes de cada
comunidade.
Se por um acaso ainda não
foi respondida a questão que me foi feita, eu acredito que aquilo que escutei
do Papa Bento XVI em 2007, quando de sua viagem ao Brasil, responde-a muito
melhor do que fiz. A resposta, quem sabe, passa muito por assumir com
responsabilidade o hoje. E assim nos disse o Papa: O "amanhã" depende muito de como estais vivendo o
"hoje" da juventude. Diante dos olhos, meus queridos jovens, tendes
uma vida que desejamos seja longa; mas é uma só, é única: não a deixeis passar
em vão, não a desperdiceis. Vivei com entusiasmo, com alegria, mas, sobretudo,
com senso de responsabilidade* .
Shalom!
DECOLORES!
* Para acesso ao conteúdo
integral do discurso do Papa:
https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2007/may/documents/hf_ben-xvi_spe_20070510_youth-brazil.html
Luiz Mário Becker - 42°