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8 de ago. de 2018

O que mais abortaremos?

            


             Depois da fé, o que mais abortaremos? Se dela abdicarmos, juntamente com tudo que  dela recebemos, o que nos restará? As perguntas que se seguem a estas revelam muito sobre o que acreditamos e que importância isso absorve em nossas vidas. O que se decide no STF, ainda que pareça, não se trata de liberdade, feminismo ou mesmo saúde pública (uma vez me disseram que gravidez não é doença). Para nós CRISTÃO ( e é a esses a quem escrevo) não há outra questão em debate que não a nossa fé e a VIDA, DOM MAIOR.

            Ainda que digam haver muito a discutir do ponto de vista moral, ético, jurídico, tudo, absolutamente tudo se resume à VIDA. Ao defendermos, aceitarmos, calarmo-nos frente o que se decide em Brasília, creiam meus irmãos, mais do que “fetos” abortaremos nossa própria fé! Não há condição alguma de conciliar o aborto com a fé Cristã. Quem aceita um, nega o outro, irreconciliavelmente. 

            Muitos argumentam que a posição da Igreja tem haver com liberdade sexual, com moral, com intromissão do poder decisório das mulheres, e que a Igreja, afinal de contas, não tem o direito de imiscuir-se em questões privadas dos outros. Porém, quando se defende a proibição e criminalização do aborto, não o fazemos por intervenção na liberdade individual, fazemos sim, e por motivo nenhum outro, em defesa da vida de um nascituro, Ser humano, com DNA diverso de pai e mãe. Fazemos em defesa final de uma vida que não tem nada a se apegar que não a nossa fé.

            Das muitas placas e frases de efeito que li a respeito de tal questão (umas de muitíssimo mau-gosto) uma fazia muito sentido, em verdade. Dizia ela: tirem seus rosários de nossos ovários. Ora, a frase é de um poder midiático incrível. Não vos preocupeis, meu rosário não esta em teu ovário, mas ficará para sempre a serviço da vida que está em teu útero! Até que morra, defenderei esta vida. O óvulo, em teu ovário, é teu mulher, parte do teu corpo, mas o feto em teu útero, ainda que teu filho, não é tua posse ou propriedade, ainda que dependa de ti para viver. Este feto, indefeso no útero, é ser vivo que detém DIGNIDADE humana apesar da vontade de sua mãe. E no que depender de mim e de meu rosário, manter-se-á vivo, manter-se-á protegido. Meu rosário não está sobre teu ovário, esta protegendo a vida em teu útero, está a serviço de Deus, para iluminar os rumos dessa Terra de Santa Cruz.

            Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão. Ora meus irmãos, não deixemos que nossa voz se cale. Não havemos de permitir que seja silenciada nossa fé, que sejam vilipendiados nossos valores, que sejam abortadas VIDAS! O Senhor, Justo e Reto cobrar-nos-á pelo silêncio que aceitarmos que nos seja imposto. Quem sabe, em alguns dias, a Lei civil deste país permitirá o homicídio, a eugenia, a bestial seleção humana, mas não, nós CRISTÃOS não podemos aceitar tal aberração. Devemos ser voz no deserto se necessário, mas não podemos aceitar sermos julgados pelo nosso próprio SILENCIO. 

             Eu digo NÃO! Eu rezo, dobro os joelhos e faço de meu rosário uma arma em defesa da vida, em defesa da fé, em defesa dos princípios e valores cristãos. Estarei
ao lado de quem não pode se defender, e com meus irmãos  não permitirei que tentem ABORTAR minha fé. Que a TERRA DE SANTA CRUZ, seja sempre abençoada por DEUS!

Texto: Luiz Mário Becker

13 de mai. de 2018

Homenagem às Mães



     Oi mãe, faz um tempo que eu não olho nos teus olhos para dizer todo amor que sinto. Ah mãe, desculpa pelas vezes que a pressa pra passar direto pro quarto, a pressa de comer rápido no almoço ou no jantar para assistir TV ou ir naquelas festas das quais a senhora passa a noite toda acordada me esperando chegar, falou mais alto. Ah mãe!! Que saudade dos nossos cafés da manhã em dias de chuva, dos abraços apertados, do colo quando eu era todo choro e joelhos ralados.

     Ah mãe!! Eu sei que muitas vezes a senhora só queria ouvir sobre o meu dia, na certeza de que minha voz hoje, assim como o meu choro um dia foi, é uma linda canção para teus ouvidos. Ah mãe, eu sei que todas essas broncas são porque me ama e só quer meu bem. Mãe, eu sei o quanto você me ama e eu te amo igual, só não sei expressar em gestos ou palavras, mas é grande o meu amor por você... Ah mãe... Eu cresci e hoje tenho saudade das tuas canções de ninar, dos teus puxões de orelha e das vezes que a senhora acalmou o papai para que eu não levasse uma bronca.

     Quando o mundo se agita neste mar de violências e de injustiças, não podemos deixar de lembrar da tua pessoa, mãe, porque ainda és a maior reserva de amor que Deus colocou neste mundo. Quando tudo está perdido, ainda resta o coração; é de lá que a vida começa a renascer...
Basta um sorriso meu e sabes o que eu vou dizer, mas, basta um sorriso teu e eu me sinto tão feliz.

     Eu vi no teu sorriso a alegria que sente quando eu chego bem em casa, eu li no teu olhar o amor que sentes por mim, senti na sua mão pulsar um coração de mãe. Eu vi a tua força na fraqueza. E no teu colo, mãe, aprendi o que é fé, aprendi a rezar e a amar a Deus e as pessoas. No teu colo aprendi o que é retidão, caráter, honestidade, bondade, pureza de coração. No teu colo, aprendi a respeitar as pessoas, a ser gentil com os mais velhos, a ser humilde e simples e não desprezar ninguém. Com seu jeito doce e suave, foi você quem me ensinou a perdoar, a superar os momentos de raiva sem revidar, a não ter inveja dos outros.

     Mãe é termo usado para designar um coração capaz de amar infinitamente, é sentir por dois, sorrir por dois, sofrer por dois, é dar o melhor de si, duas vezes, é aquela que cura com um abraço, que sara machucado com um beijo.

     Mãe é palavra poderosa que toca qualquer um. É sinônimo de amor forte e incondicional.

    Tem mãe de sangue, mãe de coração, mãe avó, mãe tia, mãe madrinha. Um amor que não se baseia no sangue que se tem em comum, mas na afeição que se desenvolve no coração.

     Até o filho de Deus quis ter uma Mãe para cumprir a Sua missão de salvar a humanidade; e Ele fez o seu primeiro milagre nas Bodas de Caná exatamente porque ela lhe pediu. Por isso, cada mãe é um sinal de Maria, que ensina seu filho a viver de acordo com a vontade de Deus.

     Somos gratos a Deus que te criou e te deu de presente a cada um de nós. Sobretudo mãe, queremos reconhecer e agradecer pela gratuidade das tuas boas obras.

      Mãe, você me ensinou tudo, menos a ficar longe de você!

     À todas as mães, avós, tias, madrinhas...

     Feliz Dia das Mães!!!!!

Texto: Lenisse Aquino

20 de mar. de 2018

Jesus Cristo, o maior líder de todos os tempos.




MANOS E MANAS,

Entramos no tempo da Quaresma, e com ela, nós, integrantes desse abençoado povo cristão, somos chamados à reflexão deste momento que antecede a Paixão, Morte, e Ressurreição de Jesus Cristo, nosso líder. É tempo de abdicação, penitência, mas principalmente, de empatia. Sim, empatia! Mais até do que na época natalina, na qual é comum também despojarmo-nos de nossos pecados e expressar sentimentos de generosidade e bondade para com o próximo, esse tempo litúrgico remete ao período no qual Jesus viveu difíceis momentos, nos quais a oração e sua entrega às vontades do Pai se fizeram intensas. Também nós vivemos turbulentos momentos em nossas vidas, eventualmente. E, da mesma forma que Cristo, a oração deve ser nosso elemento-mor de conexão espiritual.

A proximidade da Páscoa se cristaliza com o advento da Semana Santa, que culmina a era quaresmal e apresenta marcantes eventos da vida de Jesus. Não somente a triunfal entrada em Jerusalém, rodeado por ramos de arvores e acompanhado de seus discípulos, mas a expulsão de mercadores de dentro do Templo e o confronto com os sacerdotes, representaram significativos acontecimentos da missão do Messias e expuseram suas maiores virtudes como o Filho de Deus. Sua caminhada se mostrou árdua, dolorosa, sangrenta... As gotas de sangue que escorreram de seu corpo no dia de sua morte representavam também aquelas de suor, que por longos três anos, ele dedicou à evangelização e manifestação das vontades do Pai. “Eu sou o caminho, a verdade, e a vida”. Com efeito, ninguém vai a Deus senão por ele. A pregação foi além dos ensinamentos realizados através das diversas parábolas proferidas nos anos de sua vida pública: ela expressou a inserção de uma nova doutrina no mundo antigo, uma cultura de amor ao próximo singular para a época.

A saga de Jesus na Terra Santa é retratada nos quatro evangelhos canônicos, nas passagens de Mt 21, 1-11; Mc 11, 1-11; Lc 19, 28-44; e Jo 12, 12-19. Em todas elas, a imagem de um Cristo humilde, chegando a Jerusalém montado em um jumento contrasta com o louvor da população local, que o saúda com galhos de oliveiras, como um verdadeiro profeta e mestre de todos os povos, no dia que ficou conhecido tradicionalmente como Domingo de Ramos. No decorrer daqueles dias, ele continuou sua trajetória e ainda ensinou muitas coisas aos seus discípulos, realizando também outros milagres e afrontando as autoridades judaicas.

Ora, Jesus era um perigoso. Muito mais do que a fama que se debruçava sobre seu nome por todos os cantos, nele repousava o temor do Império Romano de que o poder fosse perdido em função do prestígio que aquele carpinteiro nazareno conseguira junto ao povo da Judeia. Mas a história mostrou que toda a perseguição, tortura e execução de Jesus apenas serviram como potencializadores de sua influência: o carisma, a pacificidade, a bondade, e o amor preponderaram sobre a ganância e o ódio de seus algozes. E hoje, passados mais de dois mil anos de sua morte, a numerosa legião católica espalhada pelo mundo prova que seu legado não foi, e jamais será esquecido. Em verdade, o fim de sua missão terrena não sugere o desfecho de sua trajetória: pelo contrário, revela uma continuidade. A continuidade que delegou a Pedro ([...] tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja[...]), confiando ao discípulo que o negou a prosperidade do Reino dos Céus, e que delega a todos nós, hoje, através do Movimento de Cursilhos da Cristandade, por exemplo. Sejamos, pois, expoentes da filosofia de Jesus Cristo, em todos os ambientes. Daquele que se entregou, de corpo e alma, para promover uma das mais profundas transformações culturais da história da humanidade.

De fato, a Semana Santa nos traz o ápice deste plano de amor existente na relação entre Deus e a humanidade. Que amor é maior do que enviar e entregar o Seu filho ao mundo? Vê-lo reunir multidões em Seu nome, mas igualmente vê-lo sofrer nas mãos dos homens... Deus destinou o que tinha de mais precioso, para que ano após ano, lembrássemos do sacrifício feito por seu filho em nosso favor. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3, 16). O que temos feito em troca?

Assim, o início do Tríduo Pascal, na Quinta-Feira Santa, celebra a instituição da Eucaristia, a confraternização da Última Ceia de Jesus com seus discípulos. O pão, repartido e distribuído, simboliza o corpo de Cristo que seria entregue nas horas seguintes. O vinho, igualmente dividido, seu sangue. Sangue inocente que seria derramado como mais um sinal do perdão que emanava do homem que, ao final, a todos perdoou. “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo”. Tal gesto, de inteira doação, retrata a coragem com que enfrentou todas as situações de sua vida. Sabia desde o início o que lhe aconteceria, todo o processo de sofrimento e tentação ao qual estaria submetido... e em momento algum procurou eximir-se, escapar, mudar o curso de sua existência.

A Sexta-Feira Santa, por sua vez, manifesta a Paixão e Morte de Cristo, o momento mais doloroso para a comunidade cristã e para o filho de Deus, que sentiu na carne a ignorância e o lado mais sórdido da natureza humana. Humilhado, despojado, açoitado, Jesus sofreu e pereceu. Ao urrar: “Pai, por que me abandonastes?”, revelou sua fraqueza como homem, mas sua grandeza de espírito permaneceu intacta para revelar seu amor imensurável. É nessa condição que o sentimento de empatia se deve fazer presente: colocarmo-nos no lugar de Cristo, revivendo suas aflições e mazelas, sentindo sua compaixão e resiliência como forma de superar as adversidades e encontrar a plenitude da esfera divina.

Da mesma forma, colocarmo-nos no lugar do irmão que sofre, do pobre que tem fome, daqueles acometidos por doenças, e todos os demais que enfrentam calvários das mais variadas espécies. Isso é, pois, ser parte do povo de Deus, revitalizado por Jesus.

Já o dia do Sábado é sombrio e desolador. A imagem de um Cristo morto e sepultado nos faz lembrar toda a escuridão que assola a sociedade e, por vezes, descolore nossas vidas. São momentos onde a busca por forças se faz necessária e buscamos o amparo daqueles nos cercam e nos amam. Porém, é também etapa que antecede os atos de louvor ao Senhor, concluindo o Tríduo Pascal, em preparo para o ponto máximo da Páscoa.

No Domingo da Ressureição, aclamamos a vida! Apesar de todo o martírio, é dia de Glória e alegria. Jesus, marcado pelas chagas de sua crucificação, ressurge do mundo dos mortos, e antes de juntar-se ao lado direito de Deus, permanece por algum tempo com os discípulos, mostrando-lhes que a fé precisa ser inabalável, e incumbindo-lhes também de continuar a missão por ele inaugurada. Não tenhamos o ceticismo de Tomé, mas acreditemos nos sinais dados por Ele, de que nunca estamos sozinhos, seja qual for a circunstancia.

Nessa oportunidade, lembremos, de igual modo, o tema da Campanha da Fraternidade desse ano, “Fraternidade e Superação da Violência”, que busca conscientizar a sociedade de que somente a comunhão de esforços de todos fará com que transformemos a realidade violenta de nosso país. Dessa forma é que Jesus Cristo conquistou corações: rechaçando a violência e promovendo a fraternidade e o amor como carros-chefe da comunidade. “Vós sois todos irmãos”, diz o lema de 2018, em alusão à mensagem transmitida por Jesus durante um de seus discursos durante a Semana Santa. Pois, para que reunimo-nos em torno do altar, encontramo-nos semanalmente e alavancamos ações, senão com o intuito de conjugar uma aliança de irmandade?

A Igreja nos chama a refletir profundamente sobre este momento, de modo a purificarmos nossos corações para compreender o real sentido do sacrifício de Jesus: conceber uma comunidade pautada na servidão a Deus e na benevolência. O Reino, corpo uno e indivisível, requer que seus membros fiéis sejam – e ajam – como uma comum unidade em Cristo. Conforme dito recentemente pelo Papa Francisco, devemos estar atentos aos falsos profetas, que nos distanciam da verdadeira felicidade, das virtudes celestiais. Cuidemos para que nossos corações não esfriem pela falta do amor, da caridade, da oração.

Amor, entrega, resiliência... o Filho de Deus se fez carne para viver como nós, e elevou-se em espírito para perpetuar sua presença em nossas mentes e corações. Cultivar a empatia é seguir o exemplo deixado pelo homem que influenciou o rumo da História e resignificou os conceitos de amor e perdão. Por tudo isso, a Ele a glória, a Ele, todo o louvor.


#VivaaVida


Lucas Hahn Spalding – 51º Cursilho

21 de fev. de 2018

Nosso Homem-novo nasce da Quaresma.




A Quaresma, tempo fundamental na caminhada do ano litúrgico, é uma oportunidade em que a Igreja nos pede diversas atitudes em preparação para a Páscoa de Jesus. No Brasil, temos muito forte a presença e vivência da Campanha da Fraternidade, onde nós, Católicos, em Ecumenismo, tratamos juntamente com todos os Cristãos de temas relevantes a nossa vivência e evangelização. Na Campanha somos convidados à reflexão e também às obras de caridade. Para além da Campanha, a Igreja pede ao mundo todo o Jejum e a penitência.

Os pedidos que a Igreja nos faz todos já conhecemos. Mas, o que muitas vezes passa despercebido em nossa vivência quaresmal, são os motivos de tais pedidos. O Jejum e a penitencia quaresmal têm um fim muito especial e belo. Devemos, a partir deles, ressuscitar com Jesus na Páscoa.
Não atoa a quaresma cumpre-se em quarenta dias. Lembra-nos a caminhada e a passagem do povo Hebreu da escravidão para a Terra Prometida. Estes quarenta dias da quaresma nos pedem algo muito semelhante, a conversão, a penitência, o abandono do pecado. Como os hebreus caminharam no deserto, devemos também nós ingressar no deserto de nós mesmos, compreender e vencer os nossos pecados a escravidão que eles nos impõem para então viver aquilo que o Cristo nos promete. Não se chega a Terra Prometida, sem antes passar pelo deserto. Não há Páscoa, sem antes cruzar em penitência a Quaresma.

Também Jesus viveu sua “quaresma”, também ele percorreu o deserto por 40 dias. Foi uma quarentena de jejum pleno e muitas tentações. Nosso Jejum deve imitar o de Cristo. Devemos nessa Quaresma vencer nossas tentações através da Palavra. Responder ao maligno com o Evangelho e Jejuar. E, eis, aqui, quem sabe, a maior dúvida de todos nós. Porque jejuamos?
Jejuamos para que nossa penitência nos mortifique, para que enfraqueçam em nós os pecados. Como São Paulo nos dizia, deve morrer o homem velho, para que ressuscite com o Cristo um homem novo. O nosso homem velho deve ser mortificado pelo nosso Jejum Quaresmal, para que na Páscoa, um homem novo nasça no Cristo e na Graça. É necessário que morra o pecado, morram nossas faltas, que morra nosso egoísmo, nossas vicissitudes, para que no espaço ocupado por eles em nossa vida esteja o Cristo, a caridade, a fé e a esperança.

Quando negamos o mundo e suas obras, abraçamos o Céu, rumamos para a Terra Prometida. Nosso Deserto Quaresmal é como o convite feito: “convertei-vos e crede”. Devemos convertermo-nos para sermos em Cristo homens novos. Devemos, acima de tudo encarar a Quaresma como oportunidade de reflexão sobre nossa vida, para mudança de rumos e transformação de nós mesmo.
Jejuar é muito mais do que deixar de comer ou beber. Jejuar é abandonar-se a si mesmo, para deixar-se viver na Graça de Deus.

Luiz Mário Becker - 42

24 de jan. de 2018

PRECISAMOS FALAR SOBRE SÃO JOSÉ!




“José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo” (Mt 1,20)

Celebramos no último 31de dezembro, na oitava do Natal, o dia dedicado à Sagrada Família. Durante o tempo do advento voltamos nosso olhar para algumas figuras fundamentais para que pudéssemos compreender todo o mistério envolto à vinda do Salvador e, uma delas, é São José, de quem falarei a seguir.
De São José, na verdade, sabemos muito pouco. O seu nome é citado nos Evangelhos pouquíssimas vezes e, os evangelistas dedicam-lhe apenas vinte e seis versículos, mas não citam nenhuma palavra propriamente dele. 
Sabemos que Deus tudo pode, portanto, não precisaria de uma família para vir ao mundo, poderia vir de outra forma. Mas, se assim o fez, foi porque tinha um propósito maior.
É razoável pensar que o motivo principal de Jesus escolher Maria e José como seus pais era de santificar a instituição FAMÍLIA. O fato de São José não ter participado da geração natural do Deus menino nos leva a questionar: por que Cristo teve um pai terreno já que Ele tinha um Pai no Céu?
Nesse ponto, entramos na missão especialíssima que teve São José! Ele entrou em cena quase desapercebidamente. Não há nenhuma menção sobre a sua vida nem sobre a sua morte, e esse silêncio permanecerá por muitos séculos.
Deus não precisava dele, mas escolheu precisar. Foi a José que Jesus submeteu-se como filho, e foi com ele e nele que Maria encontrou um grande amor e força para desempenhar com perfeição a sua sublime missão. 
Num primeiro momento imaginamos que, quando o Deus quer algo de nós, Ele se apresenta com Sua grandeza e nos pede o que quer que façamos. Porém, muitas vezes, o próprio Altíssimo se coloca como o necessitado à nossa frente. Assim foi a instituição da FAMÍLIA: Maria e o pequeno Jesus, na vida de José - pessoas maiores que ele, mas que necessitavam dele. 
“Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito.” (Mt 2,13-14)
Durante muitos séculos, São José foi visto mais como um servo de Maria do que como seu esposo e, a razão desta visão distorcida foi devido à influência dos livros apócrifos, os quais procuraram erroneamente defender a virgindade de Maria, portanto a concepção virginal de Jesus, vendo em seu esposo um velho de cabeça branca e careca, com uns noventa anos. Um erro imperdoável, pois se acreditou mais na incapacidade física de José sendo velho, sem a libido, do que nas suas virtudes e na graça de Deus.
Hoje, se pode afirmar com toda segurança que, José se casou com Maria com a idade própria de todos os jovens hebreus quando se casavam, ou seja, cerca dos seus 16 anos. Além do mais, Deus quis que seu Filho se inserisse na história humana da maneira mais natural possível, dentro de uma família e com pais que lhe dessem toda assistência, sustento e educação. Ora, se José fosse velho, como foi apresentado, como poderia ter a força e a disposição para fugir com Jesus e Maria para o Egito, atravessando o deserto, numa longa caminhada e enfrentando os perigos, a falta de água e o cansaço? Como poderia José ter sustentado Jesus e sua esposa se não tivesse a força juvenil?
A missão de José é imprescindível para valorizar a família, pois ele vem para ser a imagem visível do Pai do Céu. Assim também é o papel paterno na família. Toda criança precisa ter uma boa referência feminina e masculina (ainda que não seja o pai biológico).
Em qualquer outra condição fora da família, a gravidez de Maria seria mal interpretada e ela correria o risco de ser apedrejada. Ao assumi-la, José salva Nossa Senhora e Jesus ainda no seu ventre. 
Escolhido por Deus para esta sublime missão de representá-lo aqui na terra perante o seu Unigênito Filho, José exercitou a sua autoridade de modo exemplar, pois o próprio Deus tinha encontrado nele alguém de coração tão puro e generoso que lhe confiou com plena segurança o maior mistério do seu coração. Por isso, o seu amor paternal foi sem reservas, foi um amor traduzido em generosidade, em sacrifício e em serviço incondicional para Jesus.
O mistério de São José está na eloquência do seu silêncio e no primado do seu amor, sendo assim, a imagem terrestre da bondade de Deus.
O seu silêncio é impressionante, a renúncia pelos desígnios de Deus é total, pois não pedia explicações, não contestava e mesmo quando entrava em cena, quase sempre, passava despercebido. Se é verdade que, ao referir-se a ele, os Evangelhos não usam muitas palavras, é indiscutível que a sua pessoa está envolvida por um halo de luz tão cristalino, que resume a essência do que ele representava, quando afirmam que "era um homem justo" (Mt 1.9).
Era justo com Deus, depositando nele a mais profunda confiança em toda a sua vida. Era justo com o próximo, pois vivia com Jesus e Maria na mais perfeita caridade. Era justo consigo mesmo, pois foi sempre fiel à vocação que recebeu.
Jesus é Deus, sabedoria encarnada, não precisava de professores. Porém, assumindo a condição humana, Jesus quis ser introduzido nas dinâmicas da vida pelas características humanas de seus pais. Toda criança é reflexo de seus pais, e com Jesus não foi diferente. Não que Ele não possuísse todas as virtudes humanas – e muito mais que isso, todo bem e amor já estavam Nele -, mas o convívio e o testemunho de vida de Maria e José contribuíram para propiciar situações que traziam à tona tudo o que Ele era.
De José, podemos citar três características que possui por excelência:
– José era Justo (Mt 1, 19): A Bíblia o cita como justo, não pelo nosso senso de justiça humana, mas pelo da misericórdia. Uma bondade capaz de dar tudo de si em favor do outro. Jesus é misericordioso!
– José era Casto (Lc 1, 34): É a temperança que propicia todas as outras virtudes em nós. Jesus é casto!
– José era Trabalhador (Mt 13, 35): Tem o dinamismo próprio de quem não se detém só na intenção, mas serve o outro saindo de sua zona de conforto. Jesus era incansável (Jo 5, 17)!
Portanto, se José foi um exemplo seguido até mesmo por Jesus, o Cristo Senhor, como não poderia ser um exemplo de também para nós?

Autora: Lenisse Aquino 50º CUR