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21 de fev. de 2018

Nosso Homem-novo nasce da Quaresma.




A Quaresma, tempo fundamental na caminhada do ano litúrgico, é uma oportunidade em que a Igreja nos pede diversas atitudes em preparação para a Páscoa de Jesus. No Brasil, temos muito forte a presença e vivência da Campanha da Fraternidade, onde nós, Católicos, em Ecumenismo, tratamos juntamente com todos os Cristãos de temas relevantes a nossa vivência e evangelização. Na Campanha somos convidados à reflexão e também às obras de caridade. Para além da Campanha, a Igreja pede ao mundo todo o Jejum e a penitência.

Os pedidos que a Igreja nos faz todos já conhecemos. Mas, o que muitas vezes passa despercebido em nossa vivência quaresmal, são os motivos de tais pedidos. O Jejum e a penitencia quaresmal têm um fim muito especial e belo. Devemos, a partir deles, ressuscitar com Jesus na Páscoa.
Não atoa a quaresma cumpre-se em quarenta dias. Lembra-nos a caminhada e a passagem do povo Hebreu da escravidão para a Terra Prometida. Estes quarenta dias da quaresma nos pedem algo muito semelhante, a conversão, a penitência, o abandono do pecado. Como os hebreus caminharam no deserto, devemos também nós ingressar no deserto de nós mesmos, compreender e vencer os nossos pecados a escravidão que eles nos impõem para então viver aquilo que o Cristo nos promete. Não se chega a Terra Prometida, sem antes passar pelo deserto. Não há Páscoa, sem antes cruzar em penitência a Quaresma.

Também Jesus viveu sua “quaresma”, também ele percorreu o deserto por 40 dias. Foi uma quarentena de jejum pleno e muitas tentações. Nosso Jejum deve imitar o de Cristo. Devemos nessa Quaresma vencer nossas tentações através da Palavra. Responder ao maligno com o Evangelho e Jejuar. E, eis, aqui, quem sabe, a maior dúvida de todos nós. Porque jejuamos?
Jejuamos para que nossa penitência nos mortifique, para que enfraqueçam em nós os pecados. Como São Paulo nos dizia, deve morrer o homem velho, para que ressuscite com o Cristo um homem novo. O nosso homem velho deve ser mortificado pelo nosso Jejum Quaresmal, para que na Páscoa, um homem novo nasça no Cristo e na Graça. É necessário que morra o pecado, morram nossas faltas, que morra nosso egoísmo, nossas vicissitudes, para que no espaço ocupado por eles em nossa vida esteja o Cristo, a caridade, a fé e a esperança.

Quando negamos o mundo e suas obras, abraçamos o Céu, rumamos para a Terra Prometida. Nosso Deserto Quaresmal é como o convite feito: “convertei-vos e crede”. Devemos convertermo-nos para sermos em Cristo homens novos. Devemos, acima de tudo encarar a Quaresma como oportunidade de reflexão sobre nossa vida, para mudança de rumos e transformação de nós mesmo.
Jejuar é muito mais do que deixar de comer ou beber. Jejuar é abandonar-se a si mesmo, para deixar-se viver na Graça de Deus.

Luiz Mário Becker - 42