A
Quaresma, tempo fundamental na caminhada do ano litúrgico, é uma oportunidade
em que a Igreja nos pede diversas atitudes em preparação para a Páscoa de
Jesus. No Brasil, temos muito forte a presença e vivência da Campanha da Fraternidade, onde nós, Católicos, em Ecumenismo, tratamos juntamente com todos
os Cristãos de temas relevantes a nossa vivência e evangelização. Na Campanha
somos convidados à reflexão e também às obras de caridade. Para além da
Campanha, a Igreja pede ao mundo todo o Jejum e a penitência.
Os
pedidos que a Igreja nos faz todos já conhecemos. Mas, o que muitas vezes passa
despercebido em nossa vivência quaresmal, são os motivos de tais pedidos. O
Jejum e a penitencia quaresmal têm um fim muito especial e belo. Devemos, a
partir deles, ressuscitar com Jesus na Páscoa.
Não
atoa a quaresma cumpre-se em quarenta dias. Lembra-nos a caminhada e a passagem
do povo Hebreu da escravidão para a Terra Prometida. Estes quarenta dias da
quaresma nos pedem algo muito semelhante, a conversão, a penitência, o abandono
do pecado. Como os hebreus caminharam no deserto, devemos também nós ingressar
no deserto de nós mesmos, compreender e vencer os nossos pecados a escravidão
que eles nos impõem para então viver aquilo que o Cristo nos promete. Não se
chega a Terra Prometida, sem antes passar pelo deserto. Não há Páscoa, sem
antes cruzar em penitência a Quaresma.
Também
Jesus viveu sua “quaresma”, também ele percorreu o deserto por 40 dias. Foi uma
quarentena de jejum pleno e muitas tentações. Nosso Jejum deve imitar o de
Cristo. Devemos nessa Quaresma vencer nossas tentações através da Palavra.
Responder ao maligno com o Evangelho e Jejuar. E, eis, aqui, quem sabe, a maior
dúvida de todos nós. Porque jejuamos?
Jejuamos
para que nossa penitência nos mortifique, para que enfraqueçam em nós os
pecados. Como São Paulo nos dizia, deve morrer o homem velho, para que
ressuscite com o Cristo um homem novo. O nosso homem velho deve ser mortificado
pelo nosso Jejum Quaresmal, para que na Páscoa, um homem novo nasça no Cristo e
na Graça. É necessário que morra o pecado, morram nossas faltas, que morra
nosso egoísmo, nossas vicissitudes, para que no espaço ocupado por eles em
nossa vida esteja o Cristo, a caridade, a fé e a esperança.
Quando
negamos o mundo e suas obras, abraçamos o Céu, rumamos para a Terra Prometida.
Nosso Deserto Quaresmal é como o convite feito: “convertei-vos e crede”.
Devemos convertermo-nos para sermos em Cristo homens novos. Devemos, acima de
tudo encarar a Quaresma como oportunidade de reflexão sobre nossa vida, para
mudança de rumos e transformação de nós mesmo.
Jejuar
é muito mais do que deixar de comer ou beber. Jejuar é abandonar-se a si mesmo,
para deixar-se viver na Graça de Deus.
Luiz
Mário Becker - 42
