Páginas

28 de mar. de 2017

Campanha da Fraternidade 2017: um olhar sobre a realidade dos biomas brasileiros

Fonte: Texto Base CNBB

Desde 1964 a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) trabalha, junto aos cristãos, a Campanha da Fraternidade, como uma possibilidade de conversão quaresmal e de cuidado com a Igreja, com a comunidade e com a sociedade. Inúmeros temas e assuntos já foram pauta de discussão da Campanha da Fraternidade e todos eles estavam voltados às dores do povo que eram as mesmas de Cristo.
Em um mundo cada vez mais globalizado e uma sociedade pautada pelo intenso consumo, a Campanha da Fraternidade propõem, em 2017, a discussão sobre os biomas brasileiros, alertando em relação à crise ecológica, política e econômica que envolve a realidade brasileira. Com o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema inspirado no texto do Livro do Génesis 2,15: “Cultivar e guardar a criação”, a CF-2017 caracteriza bioma como “conjuntos de ecossistemas com características semelhantes dispostos em uma mesma região e que historicamente foram influenciados pelos mesmos processos de formação”. Sabe-se que o Brasil possui seis biomas: a Mata Atlântica, a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga e o Pampa. Apresentaremos, abaixo, um breve resumo sobre cada um deles:
a) Bioma Amazônia: é o maior bioma do Brasil, ocupa 61% do território nacional – formado pelos estados da região norte: Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima, Rondônia e Tocantins. É marcado pela maior hidrográfica de água doce do mundo, a bacia amazônica. Seu principal rio, o Amazonas, lança no Oceano Atlântico cerca de 175 milhões de litros d´água a cada segundo, levando nas águas material orgânico e sedimentos que geram no oceano biodiversidade marinha, colaborando para a temperatura do planeta. A vegetação característica do bioma Amazônia é de árvores altas. Estima-se que esse bioma abrigue mais da metade de todas as espécies vivas do Brasil.

b) Bioma Caatinga: é envolvido pelo clima semiárido entre a estreita faixa da Mata Atlântica e o Cerrado.  É um bioma exclusivamente brasileiro, que abrange territórios de 8 estados do Nordeste e o Norte de Minas Gerais, onde vivem 27 milhões de pessoas. Apresenta uma grande riqueza de ambientes e espécies, que não é encontrada em nenhum outro bioma. Dos ecossistemas originais da caatinga, 80% foram alterados, em especial por causa de desmatamentos e queimadas. Com 70% do seu subsolo formado por rochas cristalinas, o bioma Caatinga tem poucas nascentes e rios perenes, portanto, poucos aquíferos. Com o que diz respeito à fauna, o bioma Caatinga abriga 178 espécies de mamíferos, 591 tipos de aves, 177 tipos de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 classes de peixes e 221 espécies de abelhas.

c) Bioma Cerrado: é no Cerrado que está a nascente das três maiores bacias da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), o que resulta em elevado potencial aquífero e grande biodiversidade. Esse bioma abriga mais de 6,5 mil espécies de plantas já catalogadas. Predominam formações da savana e clima tropical quente subúmido, com uma estação seca e uma chuvosa e temperatura média anual entre 22°C e 27°C. Além dos planaltos, com extensas chapadas, existem nessas regiões florestas de galeria, conhecidas como mata ciliar e mata ribeirinha, ao longo do curso d’água e com folhagem persistente durante todo o ano. O conjunto de todos os seres vivos do bioma Cerrado representa 5% da fauna mundial.

d) Bioma Mata Atlântica: abrangia  uma área equivalente a 1.315.460 quilômetros quadrados e estendia-se originalmente por 17 estados. Hoje restam 8,5% de remanescentes florestais. Atualmente, somados todos os fragmentos de floresta acima de 3 hectares, há 12,5% da sua área original. Desde o descobrimento do Brasil a Mata Atlântica vem sendo destruída. O pau-brasil, característico dela, foi o principal alvo da extração e exploração daqueles que colonizavam o Brasil. Os relatos antigos falam de uma floresta aparentemente intocada, apesar de habitada por vários povos indígenas. Hoje a concentração urbana neste bioma abriga a maioria das capitais litorâneas e regiões metropolitanas. Nestas regiões o saneamento básico ainda é um sonho para muitos. Seu principal tipo de vegetação é a floresta normalmente composta por árvores altas e relacionada a um clima quente e úmido. Vivem aí mais de 220 mil espécies de plantas, 270 espécies conhecidas de mamíferos, 992 espécies de aves; 197 répteis; 372 anfíbios; 350 peixes.

e) Bioma Pantanal: é considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. O Pantanal é um bioma praticamente exclusivo do Brasil, pois apenas uma pequena faixa dele adentra outros países (o Paraguai e a Bolívia). Sua cobertura vegetal original de áreas que circundam o Pantanal foi em grande parte substituída por lavouras e pastagens, num processo que já repercute na Planície do Pantanal.

f) Bioma Pampa: está presente, no Brasil, somente no Rio Grande do Sul, ocupando 63% do território do Estado. É marcado por clima chuvoso, sem período seco regular e com frentes polares e temperaturas negativas no inverno. A vegetação predominante do pampa é constituída de ervas e arbustos, recobrindo um relevo nivelado levemente ondulado. A fauna é expressiva, com quase 500 espécies de aves. Também ocorrem mais de 100 espécies de mamíferos. O vento é uma das características marcantes do cenário dos pampas. A progressiva introdução e expansão das monoculturas e das pastagens com espécies exóticas têm levado a uma rápida degradação e descaracterização das paisagens naturais do bioma Pampa. Estimativas de perda de habitat dão conta de que em 2002 restavam 41,32% e em 2008 restavam apenas 36,03% da vegetação nativa do Bioma Pampa.

Conforme citado acima, historicamente, com a chegada dos colonizadores, estes biomas sofreram modificações negativas e hoje preocupam a Igreja e parte da sociedade civil. Tal anseio vai de encontro ao Objetivo Geral da CF-2017 que: “Cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho”. O desejo é que o período da quaresma e o tema da Campanha da Fraternidade possam tocar o coração de cada pessoa e, acima de tudo, motivar para a ação em prol dos biomas brasileiros.