Fonte:
Texto
Base CNBB
Desde
1964
a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) trabalha, junto
aos cristãos, a Campanha da Fraternidade, como uma possibilidade de
conversão quaresmal e de cuidado com a Igreja, com a comunidade e
com a sociedade. Inúmeros temas e assuntos já foram pauta de
discussão da Campanha da Fraternidade e todos eles estavam voltados
às dores do povo que eram as mesmas de Cristo.
Em
um mundo cada vez mais globalizado e uma sociedade pautada pelo
intenso consumo, a Campanha da Fraternidade propõem, em 2017, a
discussão sobre os biomas brasileiros, alertando em relação à
crise ecológica, política e econômica que envolve a realidade
brasileira. Com o tema “Fraternidade:
biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema inspirado no texto do
Livro do Génesis 2,15: “Cultivar e guardar a criação”, a
CF-2017
caracteriza bioma como “conjuntos
de ecossistemas com características semelhantes dispostos em uma
mesma região e que historicamente foram influenciados pelos mesmos
processos de formação”.
Sabe-se que o Brasil possui seis biomas: a
Mata Atlântica, a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga e o
Pampa. Apresentaremos, abaixo, um breve resumo sobre cada um deles:
a)
Bioma Amazônia:
é o
maior bioma do Brasil, ocupa 61% do território nacional – formado
pelos estados da região norte: Acre, Amapá, Amazonas, Pará e
Roraima, Rondônia e Tocantins. É marcado pela maior hidrográfica
de água doce do mundo, a bacia amazônica. Seu principal rio, o
Amazonas, lança no Oceano Atlântico cerca de 175 milhões de litros
d´água a cada segundo, levando nas águas material orgânico e
sedimentos que geram no oceano biodiversidade marinha, colaborando
para a temperatura do planeta. A vegetação característica do bioma
Amazônia é de árvores altas. Estima-se que esse bioma abrigue mais
da metade de todas as espécies vivas do Brasil.
b)
Bioma Caatinga:
é envolvido pelo clima semiárido entre a estreita faixa da Mata
Atlântica e o Cerrado. É um bioma exclusivamente brasileiro,
que abrange territórios de 8 estados do Nordeste e o Norte de Minas
Gerais, onde vivem 27 milhões de pessoas. Apresenta uma grande
riqueza de ambientes e espécies, que não é encontrada em nenhum
outro bioma. Dos ecossistemas originais da caatinga, 80% foram
alterados, em especial por causa de desmatamentos e queimadas. Com
70% do seu subsolo formado por rochas cristalinas, o bioma Caatinga
tem poucas nascentes e rios perenes, portanto, poucos aquíferos. Com
o que diz respeito à fauna, o bioma Caatinga abriga 178 espécies de
mamíferos, 591 tipos de aves, 177 tipos de répteis, 79 espécies de
anfíbios, 241 classes de peixes e 221 espécies de abelhas.
c)
Bioma Cerrado:
é no Cerrado que está a nascente das três maiores bacias da
América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), o que
resulta em elevado potencial aquífero e grande biodiversidade. Esse
bioma abriga mais de 6,5 mil espécies de plantas já catalogadas.
Predominam formações da savana e clima tropical quente subúmido,
com uma estação seca e uma chuvosa e temperatura média anual entre
22°C e 27°C. Além dos planaltos, com extensas chapadas, existem
nessas regiões florestas de galeria, conhecidas como mata ciliar e
mata ribeirinha, ao longo do curso d’água e com folhagem
persistente durante todo o ano. O conjunto de todos os seres vivos do
bioma Cerrado representa 5% da fauna mundial.
d)
Bioma Mata Atlântica:
abrangia uma área equivalente a 1.315.460 quilômetros
quadrados e estendia-se originalmente por 17 estados. Hoje restam
8,5% de remanescentes florestais. Atualmente, somados todos os
fragmentos de floresta acima de 3 hectares, há 12,5% da sua área
original. Desde o descobrimento do Brasil a Mata Atlântica vem sendo
destruída. O pau-brasil, característico dela, foi o principal alvo
da extração e exploração daqueles que colonizavam o Brasil. Os
relatos antigos falam de uma floresta aparentemente intocada, apesar
de habitada por vários povos indígenas. Hoje a concentração
urbana neste bioma abriga a maioria das capitais litorâneas e
regiões metropolitanas. Nestas regiões o saneamento básico ainda é
um sonho para muitos. Seu principal tipo de vegetação é a floresta
normalmente composta por árvores altas e relacionada a um clima
quente e úmido. Vivem aí mais de 220 mil espécies de plantas, 270
espécies conhecidas de mamíferos, 992 espécies de aves; 197
répteis; 372 anfíbios; 350 peixes.
e)
Bioma Pantanal:
é considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do
planeta. O Pantanal é um bioma praticamente exclusivo do Brasil,
pois apenas uma pequena faixa dele adentra outros países (o Paraguai
e a Bolívia). Sua cobertura vegetal original de áreas que circundam
o Pantanal foi em grande parte substituída por lavouras e pastagens,
num processo que já repercute na Planície do Pantanal.
f) Bioma Pampa: está presente, no Brasil, somente no Rio Grande do Sul, ocupando 63% do território do Estado. É marcado por clima chuvoso, sem período seco regular e com frentes polares e temperaturas negativas no inverno. A vegetação predominante do pampa é constituída de ervas e arbustos, recobrindo um relevo nivelado levemente ondulado. A fauna é expressiva, com quase 500 espécies de aves. Também ocorrem mais de 100 espécies de mamíferos. O vento é uma das características marcantes do cenário dos pampas. A progressiva introdução e expansão das monoculturas e das pastagens com espécies exóticas têm levado a uma rápida degradação e descaracterização das paisagens naturais do bioma Pampa. Estimativas de perda de habitat dão conta de que em 2002 restavam 41,32% e em 2008 restavam apenas 36,03% da vegetação nativa do Bioma Pampa.
Conforme
citado acima, historicamente, com a chegada dos colonizadores, estes
biomas sofreram modificações negativas e hoje preocupam a Igreja e
parte da sociedade civil. Tal anseio vai de encontro ao Objetivo
Geral da CF-2017 que: “Cuidar da criação, de modo especial dos
biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com
a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho”. O desejo é que
o período da quaresma e o tema da Campanha da Fraternidade possam
tocar o coração de cada pessoa e, acima de tudo, motivar para a
ação em prol dos biomas brasileiros.