“José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo” (Mt 1,20)
Celebramos no último 31de dezembro, na oitava do Natal, o dia dedicado à Sagrada Família. Durante o tempo do advento voltamos nosso olhar para algumas figuras fundamentais para que pudéssemos compreender todo o mistério envolto à vinda do Salvador e, uma delas, é São José, de quem falarei a seguir.
De São José, na verdade, sabemos muito pouco. O seu nome é citado nos Evangelhos pouquíssimas vezes e, os evangelistas dedicam-lhe apenas vinte e seis versículos, mas não citam nenhuma palavra propriamente dele.
Sabemos que Deus tudo pode, portanto, não precisaria de uma família para vir ao mundo, poderia vir de outra forma. Mas, se assim o fez, foi porque tinha um propósito maior.
É razoável pensar que o motivo principal de Jesus escolher Maria e José como seus pais era de santificar a instituição FAMÍLIA. O fato de São José não ter participado da geração natural do Deus menino nos leva a questionar: por que Cristo teve um pai terreno já que Ele tinha um Pai no Céu?
Nesse ponto, entramos na missão especialíssima que teve São José! Ele entrou em cena quase desapercebidamente. Não há nenhuma menção sobre a sua vida nem sobre a sua morte, e esse silêncio permanecerá por muitos séculos.
Deus não precisava dele, mas escolheu precisar. Foi a José que Jesus submeteu-se como filho, e foi com ele e nele que Maria encontrou um grande amor e força para desempenhar com perfeição a sua sublime missão.
Num primeiro momento imaginamos que, quando o Deus quer algo de nós, Ele se apresenta com Sua grandeza e nos pede o que quer que façamos. Porém, muitas vezes, o próprio Altíssimo se coloca como o necessitado à nossa frente. Assim foi a instituição da FAMÍLIA: Maria e o pequeno Jesus, na vida de José - pessoas maiores que ele, mas que necessitavam dele.
“Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito.” (Mt 2,13-14)
Durante muitos séculos, São José foi visto mais como um servo de Maria do que como seu esposo e, a razão desta visão distorcida foi devido à influência dos livros apócrifos, os quais procuraram erroneamente defender a virgindade de Maria, portanto a concepção virginal de Jesus, vendo em seu esposo um velho de cabeça branca e careca, com uns noventa anos. Um erro imperdoável, pois se acreditou mais na incapacidade física de José sendo velho, sem a libido, do que nas suas virtudes e na graça de Deus.
Hoje, se pode afirmar com toda segurança que, José se casou com Maria com a idade própria de todos os jovens hebreus quando se casavam, ou seja, cerca dos seus 16 anos. Além do mais, Deus quis que seu Filho se inserisse na história humana da maneira mais natural possível, dentro de uma família e com pais que lhe dessem toda assistência, sustento e educação. Ora, se José fosse velho, como foi apresentado, como poderia ter a força e a disposição para fugir com Jesus e Maria para o Egito, atravessando o deserto, numa longa caminhada e enfrentando os perigos, a falta de água e o cansaço? Como poderia José ter sustentado Jesus e sua esposa se não tivesse a força juvenil?
A missão de José é imprescindível para valorizar a família, pois ele vem para ser a imagem visível do Pai do Céu. Assim também é o papel paterno na família. Toda criança precisa ter uma boa referência feminina e masculina (ainda que não seja o pai biológico).
Em qualquer outra condição fora da família, a gravidez de Maria seria mal interpretada e ela correria o risco de ser apedrejada. Ao assumi-la, José salva Nossa Senhora e Jesus ainda no seu ventre.
Escolhido por Deus para esta sublime missão de representá-lo aqui na terra perante o seu Unigênito Filho, José exercitou a sua autoridade de modo exemplar, pois o próprio Deus tinha encontrado nele alguém de coração tão puro e generoso que lhe confiou com plena segurança o maior mistério do seu coração. Por isso, o seu amor paternal foi sem reservas, foi um amor traduzido em generosidade, em sacrifício e em serviço incondicional para Jesus.
O mistério de São José está na eloquência do seu silêncio e no primado do seu amor, sendo assim, a imagem terrestre da bondade de Deus.
O seu silêncio é impressionante, a renúncia pelos desígnios de Deus é total, pois não pedia explicações, não contestava e mesmo quando entrava em cena, quase sempre, passava despercebido. Se é verdade que, ao referir-se a ele, os Evangelhos não usam muitas palavras, é indiscutível que a sua pessoa está envolvida por um halo de luz tão cristalino, que resume a essência do que ele representava, quando afirmam que "era um homem justo" (Mt 1.9).
Era justo com Deus, depositando nele a mais profunda confiança em toda a sua vida. Era justo com o próximo, pois vivia com Jesus e Maria na mais perfeita caridade. Era justo consigo mesmo, pois foi sempre fiel à vocação que recebeu.
Jesus é Deus, sabedoria encarnada, não precisava de professores. Porém, assumindo a condição humana, Jesus quis ser introduzido nas dinâmicas da vida pelas características humanas de seus pais. Toda criança é reflexo de seus pais, e com Jesus não foi diferente. Não que Ele não possuísse todas as virtudes humanas – e muito mais que isso, todo bem e amor já estavam Nele -, mas o convívio e o testemunho de vida de Maria e José contribuíram para propiciar situações que traziam à tona tudo o que Ele era.
De José, podemos citar três características que possui por excelência:
– José era Justo (Mt 1, 19): A Bíblia o cita como justo, não pelo nosso senso de justiça humana, mas pelo da misericórdia. Uma bondade capaz de dar tudo de si em favor do outro. Jesus é misericordioso!
– José era Casto (Lc 1, 34): É a temperança que propicia todas as outras virtudes em nós. Jesus é casto!
– José era Trabalhador (Mt 13, 35): Tem o dinamismo próprio de quem não se detém só na intenção, mas serve o outro saindo de sua zona de conforto. Jesus era incansável (Jo 5, 17)!
Portanto, se José foi um exemplo seguido até mesmo por Jesus, o Cristo Senhor, como não poderia ser um exemplo de também para nós?
Autora: Lenisse Aquino 50º CUR
Autora: Lenisse Aquino 50º CUR
