Mas o que é Liturgia?
O
vocábulo "Liturgia", em grego, formado pelas raízes leit- (de
"laós", povo) e -urgía (trabalho, ofício) significa serviço ou trabalho público, ação do povo,
serviço da parte do povo em favor do povo.
Liturgia
é a ação do Povo de Deus, reunido em Jesus Cristo, na
comunhão do Espírito Santo.
O que a Liturgia lembra?
O
que a liturgia faz é o memorial de Cristo e da salvação, ou seja, torna
presente, através da celebração, o acontecimento definitivo do Mistério Pascal.
“Na
liturgia Deus fala a seu povo. Cristo ainda anuncia o Evangelho. E o povo
responde a Deus, ora com cânticos, ora com orações.” (SC,13).
Constituição
Dogmática Sacrosanctum Concilium (SC)
Liturgia
é sempre uma celebração de Mistério Pascal, isto é, passagem da morte para
vida, através de sinais, ritos, gestos, símbolos e palavras. A
liturgia é ação de Cristo na Igreja.
Na
liturgia, a Igreja celebra principalmente o mistério pascal, pelo qual Cristo
realizou a obra da nossa salvação.
Na
tradição cristã, quer dizer que o povo de Deus toma parte na obra de Deus. Pela
liturgia, Cristo continua na sua Igreja, com ela e por ela, a obra da nossa
redenção.
Liturgia
não é somente a celebração do culto divino, mas também o anúncio do Evangelho e a
caridade em ação.
A
liturgia é simultaneamente o cume para o qual se encaminha a ação
da Igreja e a fonte de onde dimana toda a sua força.
E quando devemos nos
voltar a Liturgia?
Nenhuma
atividade pastoral pode realizar-se sem referência à liturgia. Qualquer celebração tem sentido evangelizador e
catequético. Toda ação pastoral terá como ponto de referência a liturgia, na
qual se celebra a memória e se proclama a atualidade do projeto de Jesus
Cristo.
(Conf.
Doc. 38 —CNBB)
O que precisamos para
celebrar bem a Liturgia?
É
preciso ter uma profunda noção do que é o Cristianismo;
Do
conhecimento da história da salvação;
Da
obra de Cristo;
Missão
da Igreja.
Sem
isto a Liturgia não pode ser bem compreendida e amada, e pode se transformar em
ritos vazios.
Liturgia
não é só celebração da missa dominical. Nela estão entendidas todas as formas
que a Igreja tem para celebrar o mistério cristão, todas as formas rituais que
permitem vivenciar e experimentar a íntima comunhão com Deus e com os irmãos. (doc 43 CNBB)
Afirmou
o Vaticano II que “toda a celebração litúrgica, como obra de Cristo sacerdote e
de seu corpo que é a Igreja, é ação sagrada por excelência, cuja eficácia, no
mesmo título e grau, não é igualada por nenhuma outra ação da Igreja”
(SC,7).
(Cat. §1070).
Quando falamos de
liturgia, temos presente:
A
Missa ou Celebração Eucarística;
A
Celebração da Palavra ou Culto;
O
Ano Litúrgico;
Celebração
dos Sacramentos (batismo, crisma, eucaristia, penitencia, unção dos enfermos,
ordenação, matrimonio);
A
Celebração dos Sacramentais (bênçãos, encomendação dos mortos...);
A
Liturgia das Horas.
Como as missas são
preparadas??
Todos
sabemos que nenhuma atividade na comunidade funciona sem um mínimo de
organização. A liturgia não foge desta necessidade. Para que a dimensão
celebrativa funcione bem. Para que haja participação de todos, se faz
necessário que alguém, uma equipe pense, planeje, prepare com carinho e
dedicação.
Estrutura da Missa:
·
Ritos iniciais:
• Procissão de entrada;
• O beijo no Altar;
• Sinal da Cruz;
• Saudação.
O
rito inicial é a preparação para a comungar ideias e sentimentos.
•
Ato penitencial: Quando amamos alguém de verdade, é necessário ir ao
seu encontro sem mágoa. Por isso, pedimos perdão de nossas faltas. O ato
penitencial nos convida a dar uma parada e ver onde precisamos e o que
precisamos mudar em nossa vida. Não é uma absolvição completa, mas uma
purificação das faltas leves.
•
Glória: Vem logo depois do Ato Penitencial porque o perdão de
Deus nos faz felizes e agradecidos. Através do Perdão de Deus, sentimos nosso
coração renovado e cheio de alegria, pronto para louvar ao Pai, ao Filho e ao
Espírito Santo. Glória é uma das mais perfeitas formas de Louvar.
O
rito de entrada se encerra com a Oração do Dia, ou Coleta, que consiste numa
súplica coletiva (daí o nome Coleta) a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo.
A
Oração do Dia tem sempre três elementos: a invocação dirigida a Deus, um pedido
que se faz e a finalidade do pedido.
Após
o AMÉM da Oração, a comunidade senta-se mas deve esperar o celebrante
dirigir-se à cadeira.
·
Liturgia da Palavra:
Tem
um conteúdo de maior importância, pois é nesta hora que Deus nos fala
solenemente. Fala a uma comunidade reunida como "Povo de Deus".
A
Liturgia da Palavra é o alimento espiritual nesta ceia que a Missa reproduz. É
a catequese, o ensinamento dos mistérios que são o fundamento da fé.
•
Primeira leitura: geralmente é tirada do Antigo Testamento, onde se
encontra o passado da História da Salvação. O próprio Jesus nos fala que nele
se cumpriu o que foi predito pelos Profetas a respeito do Messias.
• Salmo Responsorial: antecede a segunda leitura, é a nossa resposta a Deus
pelo que foi dito na primeira leitura, assim como declaramos aceita a Palavra
que acabamos de ouvir. Ajuda-nos a rezar e a meditar na Palavra acabada de
proclamar. Pode ser cantado ou recitado.
• Segunda Leitura: é tirada das Cartas, Atos ou Apocalipse. As cartas
são dirigidas a uma comunidade, a todos nós. A Segunda Leitura procura ter
sempre alguma relação com o texto da Primeira, tornando mais fácil compreender
a mensagem apresentada.
Os
fiéis levantam-se para aclamar “Aleluia!”. Chegou um momento muito importante e
de grande alegria: eles irão ouvir a Palavra de Deus transmitida por Jesus
Cristo. É a leitura do Evangelho.
O
Evangelho é, de fato, o ponto alto da Liturgia da Palavra. Jesus está presente
através da Sua Palavra, como vai estar presente também depois, no pão e no
vinho consagrados.
—
O
Senhor esteja convosco.
—
Ele está no meio de nós
—
Proclamação
do Evangelho de Jesus Cristo + segundo ...
— Glória a vós, Senhor.
O
sinal da Cruz na testa, na boca e no coração, para que todo o ser fique
impregnado da mensagem do Evangelho: a mente a acolha, a boca a proclame e o
coração a sinta e a viva.
• Homilia: explicação do Evangelho, conversa, é diferente de
Sermão.
• Profissão da fé: resposta dada à Palavra de Deus.
Ao
rezar o Credo, os fiéis respondem à palavra de Deus anunciada da Sagrada
Escritura e explicada pela homilia, bem como, proclamando a regra da fé através
de fórmula aprovada para o uso litúrgico, recordar e professar os grandes
mistérios da fé, antes de iniciar sua celebração na Eucaristia. Deve ser
cantado ou recitado pelo sacerdote com o povo aos domingos e solenidades.
• Preces da Comunidade:
espontâneas, motivadas pelo Sacerdote.
·
Liturgia
Eucarística
Esse
é o momento mais sublime da missa: é a renovação do Sacrifício da Cruz sem dor e sem
violência. Pela ação do Espírito Santo, realiza-se um milagre
contínuo: a transformação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus
Cristo. É o milagre da Transubstanciação, ou seja, a
substância agora é inteiramente a do Corpo, Sangue, a Alma e a Divindade de
Nosso Senhor Jesus Cristo, embora as aparências sejam a do pão e do vinho.
A
Liturgia Eucarística divide-se em: Preparação das Oferendas, Oração Eucarística
e Rito de comunhão. Durante as oferendas, colocamo-nos sentados no sentido de
nos entregarmos a Deus.
O
pão e o vinho representam a vida do homem, o que ele é, uma vez que ninguém
vive sem comer e beber.
Representam
também o trabalho do homem, pois ninguém vai a roça colher pão, nem na fonte
buscar vinho.
E
a água?
Durante a apresentação das Oferendas, o Sacerdote mergulha algumas gotas de
água no vinho. E o porquê disso?
Sabemos que no tempo de Jesus, os judeus
bebiam vinho diluído em um pouco de água, e certamente Cristo também devia
fazê-lo. Por outro lado, a água, quando misturada ao vinho, adquire cor e o
sabor deste. Ora. As gotas de Água representam a humanidade que se transforma quando
diluídas em Cristo.
O lavar as
mãos: após o Sacerdote
apresentar as Oferendas, ele lava as mãos. Antigamente, quando as pessoas
traziam elementos da celebração de suas casas este gesto tinha caráter
utilitário, pois, após pegar os produtos do campo, era necessário que se
levasse as mãos. Hoje em dia, este gesto representa a atitude, por parte do
Sacerdote, de torna-se puro para celebrar dignamente a Eucaristia.
Enquanto
lava as mãos o sacerdote deve dizer: “Lavai-me, Senhor, da minha iniquidade e
purificai-me do meu pecado”.
Ergue
a hóstia oferecendo-a à consagração. Em seguida ergue o cálice oferecendo o
vinho igualmente à consagração.
Acontece
a transubstanciação. Pão e vinho adquirem as propriedades do
Corpo e do Sangue de Jesus.
Jesus
nos revelou plenamente o Pai, e ensinou-nos a comunicar com Ele. Ele é a ponte
entre nós e o Pai. Ele é o Caminho, o Sacerdote único que apresenta a Deus as
nossas preces (cf. Hb 5,7). É por isso que nas celebrações litúrgicas fazemos
todas as ofertas a Deus “por Cristo, com Cristo e em Cristo”; tudo em seu Nome.
Todos
rezam, então, o Pai Nosso. Através desta oração, os membros da grande família
presente à celebração reconhecem novamente a Deus como Pai e suplicam a graça
de poderem viver como verdadeiros filhos e amarem-se como verdadeiros irmãos em
Cristo.
Antes
de receber a comunhão, entretanto, os fiéis fazem ainda uma última confissão de
humildade na oração do Agnus Dei (“Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do
mundo...”).
Ao
receber a comunhão o fiel responde “Amém”, confirmando sua fé em Cristo
presente na Eucaristia e confirmando que, em Cristo, recebe a todos em sua vida
e se compromete a doar-se a seus irmãos.
O
sacerdote tem um ritual de preparação antes de tocar na hóstia, ele tem um
cuidado que nós fiéis acabamos não tendo, pois a hóstia que recebemos em nossas
mãos também deixa partículas, por isso devemos ter cuidado com o corpo e sangue
de Cristo.
·
Ritos Finais
Missa
se encerra com a Bênção Final, um Canto Final e a exortação da Despedida.
Todos
de pé, o celebrante ergue a mão e marca os fiéis com o sinal da cruz pedindo
para eles a bênção do Pai, do Filho e do Espírito Santo – e a comunidade
expressa sua alegria cantando uma vez mais.
Por
fim, a assembleia é despedida.
Nas
missas celebradas em latim, o celebrante diz “Ite missa est”, o que significa
algo como “Essa é a missão (a ser cumprida)”. Nas missas em português, o
celebrante conclui dizendo “Ide em paz, e o Senhor vos acompanhe”, com o mesmo
sentido de liberar a assembleia para cumprir a missão que recebeu de levar aos
povos a palavra de Deus.
Não
devemos ver nossa presença na Missa como o cumprimento de um dever, mas de
sentir-se feliz porque Deus lhes permitiu participar de Sua refeição.
O
Ano Litúrgico católico inicia-se no ciclo do Natal 4 Domingos do Advento antes
do Dia do nascimento de Jesus Cristo e encerra no dia de Cristo Rei.




