É um Movimento da Igreja Católica que, com dinâmica
própria, possibilita a vivência e a convivência do fundamental cristão, ou
seja, é um grupo de cristãos (leigos e sacerdotes) que testemunham sua
caminhada por meio de reflexões e debates de temas ligados a fé e a vida. Esse
grupo fermenta, nos seus vários ambientes, os critérios e valores do Evangelho.
O Cursilho é tanto para homens como mulheres, adultos
ou jovens, pessoas inquietas e ansiosas para transformar-se e transformar o
mundo por meio da solidariedade e da justiça. São pessoas capazes de “dar sabor
como o sal, de iluminar como a luz, de transformar a massa como o fermento”.
História
O Sistema de governo da Espanha era a monarquia e
fortemente ligados à igreja Católica. Em 1930 grupos “anti-monarquia” formados
por sindicalistas, socialistas e comunistas assinaram um pacto, que visava à
constituição de uma república. Essa aliança ganhou as eleições municipais de
abril de 1931 em 41 das 50 capitais de província. Essas eleições foram
realizadas em meio a grande violência tendo como vítimas principalmente membros
do clero. Em meio a desordem e violência
o rei deixa o país sem abdicar do poder e o comandante da Guarda Civil declara
a república.
As eleições legislativas de junho de 1931 confirmam o
sucesso dos republicanos, que alcançam uma maioria na Assembleia Nacional das
Cortes.
Um professor universitário, Manuel Azaña, torna-se
chefe de governo. Reforma o exército e prepara a separação entre Igreja e
Estado. Nacionalizou Igrejas e edifícios religiosos. Terminou com muitas
escolas Católicas e propôs o lema “A Espanha deixou de ser Católica”, com isso, desencadeando ataques por toda a Espanha, havendo padres assassinados e conventos
e Igrejas queimadas. A Espanha passou por anos muito difíceis onde a fé foi
perseguida e ocorreram muitos conflitos entre os defensores do antigo regime e
o atual governo. O que desencadeou a guerra civil de 1936 durando até 1939.
Calcula-se que de 1931 a 1939, foram mortos cerca de 7.000 religiosos Católicos
e 20 mil igrejas foram queimadas.
Após o fim da guerra espanhola, iniciou-se a Segunda Guerra
Mundial, embora a Espanha tenha se mantido neutra na guerra, a tensão europeia
com a guerra continuava a afetar sua sociedade.
1941 - 1966
- Formação do Cursilho
Em Dezembro de 1932, realizou-se na cidade de Maiorca,
Itália, o II Congresso de Jovens da Ação Católica Masculina e decidiu-se ter a
III em Santiago de Compostela em 1937. A direção da Ação Católica decidiu,
reunir no congresso de 1937 não apenas os jovens da Espanha, mas também das 20
repúblicas da América Latina. O Conselho expôs a ideia ao Núncio do Papa e, por
recomendação do mesmo, em 1936, os membros do Conselho viajaram ao Vaticano e
expuseram seus planos ao Papa Pio XI que os abençoou e aconselhou iniciar essa
ideia com a formação de dirigentes e líderes para a peregrinação.
Pouco tempo depois iniciou-se a Guerra Civil. A JACE (Juventude
Ação Católica Espanhola) continuou com seus planos para realizar a
peregrinação, mas não conseguiu realizar em 1937 devido ao clima antirreligioso
que tomava conta do país. Em 1939 com o término da Guerra Civil e com o fim do
anti-clero, um grande entusiasmo religioso e uma vontade de renovação
espiritual tomou conta do país.
Foram 16 anos de preparação, durante este tempo a JACE
organizou seis cursos de peregrinos avançados, onde jovens do JACE de Madri
vinham dar as lições sobre a teologia da vida cristã. Os Cursilhos de
Adelantados de Peregrinos criaram escolas de formação que eram semanais. Os jovens
e sacerdotes da Diocese de Maiorca estavam animados pelas então recentes Encíclicas
“Mystici Corporis Christi” (1943) e “Mediador Dei” (1947) do Papa Pio XII, e
buscavam explicar a verdadeira dimensão do cristianismo a partir da Consciência
do que é a Graça de Deus. Nasceu, desta forma, o eixo doutrinário do Cursilho,
A GRAÇA.
O método do Cursilho surgiu do seu cunho vivencial,
testemunhal, simples e pelo anúncio alegre do Evangelho. Chamado de
Querigmático Vivencial. Esse método converteu muitos jovens que participaram
dos Cursilhos e estes passaram a atuar na Igreja e na JACE.
Então, em agosto de 1948, foi realizada a chamada “grande
peregrinação” que levou mais de 80 mil jovens a Santiago de Compostela e, juntamente com o processo de preparação, foi a base para o início do Cursilho.
Nos dias 7, 8, 9 e 10 de Janeiro de 1949, realizou-se o
primeiro Cursilho. Nos 5 anos seguintes, se realizaram com êxito cerca de 83 Cursilhos
nas Ilhas Baleares, arquipélago do qual Maiorca faz parte.
Em Junho de 1953 na Assembleia da JACE, o Bispo D.
Hervás deu, aos então chamados cursilhos, o nome de Cursilhos de Cristandade. O
termo Cristandade tratava-se de uma tentativa de fazer um mundo que se encontrava
de costas para Deus transforma-se em cristão. Para isso, era necessário levar
Cristo a todos os ambientes e para tal, escolher homens-vértebras, convertê-los
nos Cursilhos e recolocá-los em seus ambientes de origem para que lá construíssem uma
cristandade.
Ainda em 1953, realizou-se na Colômbia o primeiro
Cursilho fora da Espanha. Esse Cursilho reproduziu fielmente o método usado em
Maiorca. No mesmo ano, ocorreram diversos retiros, formando cerca de 1.363
novos cursilhistas. A partir da experiência maravilhosa, o Cursilho expandiu
para outros países.
Em 27 de Maio de 1966, o Papa Paulo VI recebeu em uma audiência
5.000 jovens cursilhistas, vindos de todos os continentes e representando 25
nações diferentes. A atmosfera era de
grande entusiasmo e essa foi a primeira "Ultréya" ou reunião de caráter
coletivo. Hoje o cursilho está presente em, pelo menos, 57 países espalhados
pelos continentes.
Cursilho no
Brasil
Na semana santa de 1962 aconteceu o primeiro Cursilho
de Cristandade no Brasil na cidade de Valinhos, São Paulo. Havia um clima de
renovação pastoral e assim o Cursilho encontrou um terreno preparado para uma
notável expansão.
O primeiro retiro do Cursilho realizado na cidade de
Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, foi em 16 de maio de 1974 somente para os
homens e em 13 de junho do mesmo ano, realizou-se o primeiro retiro para as
mulheres
Carisma do MCC
“Possibilitar a vivência do fundamental cristão,
visando criar núcleos de cristãos que fermentem de Evangelho os ambientes, ajudando-os
a descobrir e a realizar a vocação pessoal”.
A Espiritualidade
do MCC
- Está centrada em Jesus Cristo, que é manifestação
suprema do amor do Pai por seus filhos e filhas, por meio da ação do Espírito
Santo;
- É alimentada pela GRAÇA;
- Está empenhada em processo de conversão integral e
progressiva dos Cursilhistas;
- Concretiza-se na fermentação Evangélica dos
ambientes
O cursilhista é um cristão movido pela ação do
Espírito Santo e que busca viver essa espiritualidade, peregrinando em comunhão
plena com a comunidade eclesial, seguindo Jesus Cristo e seus ensinamentos. O
cristão permite-se impregnar-se pela Graça, a Vida Divina, e a comunica nos ambientes
ao qual está inserido por meio do testemunho da Boa Notícia. Vive um processo de
conversão e alimenta-se da Palavra de Deus, da Oração e do Sacramentos.
Os objetivos do
MCC
Da definição acima extraímos as finalidades do MCC:
- Finalidade Imediata: vivência do fundamental cristão
– que significa viver a Graça, a Vida Divina em nós, realizando o Plano de
Deus, anunciando seu Reino e seguindo a Cristo;
- Finalidade Mediata: convivência em
núcleos/grupos/pequenas comunidades de fé presentes nos ambientes, procurando
neles introduzir o fermento do amor, da fraternidade, da justiça, do perdão...;
- Finalidade Específica: Evangelização ambiental, com
a qual se procura levar os cursilhistas a ser fermento dos valores do Evangelho
nos seus próprios ambientes.
O método do MCC
O método do MCC consiste em:
- Seleção de ambientes e candidatos (Pré-Cursilho);
- Fomento de uma conversão autêntica e progressiva dos
cursilhistas (Cursilho);
- Na volta dos que viveram o Cursilho ao lugar de onde
saíram, seu acompanhamento nas tarefas de fermentar seus ambientes e sua
vinculação vital com os outros cristãos comprometidos (Pós-Cursilho).
O método possui as seguintes características:
querigmático, cristocêntrico, testemunhal, pessoal, caminho de conversão,
comunitário e indutivo.
As estruturas
operacionais
Por estruturas operacionais entendem-se aquelas
estruturas que ajudam o Movimento a alcançar seus objetivos. Fundamentalmente
são duas: a ESCOLA e os GRUPOS EXECUTIVOS (Diocesanos, Regionais e Nacional).
A Escola de
Fé e Vivência (Escola de Dirigentes)
É uma comunidade de cristãos que, desejando ser
discípulos, procuram capacitar-se para “conhecer cada vez mais as riquezas da
fé e do Batismo e vivê-las em plenitude crescente”. Na dinâmica desse
conhecimento incluem-se a convivência fraterna, o estudo da Palavra de Deus e sua
conscientização, a planificação racional da ação evangelizadora e os caminhos
do MCC para atingir seus objetivos. A Escola é, fundamentalmente, vivencial.
A formação integral dada na Escola, deve abranger:
- Formação espiritual;
- Formação doutrinal;
- Formação social;
- Formação no campo dos valores humanos.
Grupos
executivos
São grupos constituídos por cristãos responsáveis pelo
MCC nas Dioceses (GED), nas Regiões Pastorais em que está dividida a Igreja no
Brasil (GER), e no nível Nacional (GEN). Não são organismos de mando e não
exercem qualquer poder, nem têm jurisdição sobre outros grupos. São, antes,
sinais e promotores de comunhão e participação.
