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17 de fev. de 2017

O que é o Movimento de Cursilhos de Cristandade (MCC)?

É um Movimento da Igreja Católica que, com dinâmica própria, possibilita a vivência e a convivência do fundamental cristão, ou seja, é um grupo de cristãos (leigos e sacerdotes) que testemunham sua caminhada por meio de reflexões e debates de temas ligados a fé e a vida. Esse grupo fermenta, nos seus vários ambientes, os critérios e valores do Evangelho.
O Cursilho é tanto para homens como mulheres, adultos ou jovens, pessoas inquietas e ansiosas para transformar-se e transformar o mundo por meio da solidariedade e da justiça. São pessoas capazes de “dar sabor como o sal, de iluminar como a luz, de transformar a massa como o fermento”.

História 

O Sistema de governo da Espanha era a monarquia e fortemente ligados à igreja Católica. Em 1930 grupos “anti-monarquia” formados por sindicalistas, socialistas e comunistas assinaram um pacto, que visava à constituição de uma república. Essa aliança ganhou as eleições municipais de abril de 1931 em 41 das 50 capitais de província. Essas eleições foram realizadas em meio a grande violência tendo como vítimas principalmente membros do clero.  Em meio a desordem e violência o rei deixa o país sem abdicar do poder e o comandante da Guarda Civil declara a república.
As eleições legislativas de junho de 1931 confirmam o sucesso dos republicanos, que alcançam uma maioria na Assembleia Nacional das Cortes.
Um professor universitário, Manuel Azaña, torna-se chefe de governo. Reforma o exército e prepara a separação entre Igreja e Estado. Nacionalizou Igrejas e edifícios religiosos. Terminou com muitas escolas Católicas e propôs o lema “A Espanha deixou de ser Católica”, com isso, desencadeando ataques por toda a Espanha, havendo padres assassinados e conventos e Igrejas queimadas. A Espanha passou por anos muito difíceis onde a fé foi perseguida e ocorreram muitos conflitos entre os defensores do antigo regime e o atual governo. O que desencadeou a guerra civil de 1936 durando até 1939. Calcula-se que de 1931 a 1939, foram mortos cerca de 7.000 religiosos Católicos e 20 mil igrejas foram queimadas.
Após o fim da guerra espanhola, iniciou-se a Segunda Guerra Mundial, embora a Espanha tenha se mantido neutra na guerra, a tensão europeia com a guerra continuava a afetar sua sociedade.

1941 - 1966 - Formação do Cursilho

Em Dezembro de 1932, realizou-se na cidade de Maiorca, Itália, o II Congresso de Jovens da Ação Católica Masculina e decidiu-se ter a III em Santiago de Compostela em 1937. A direção da Ação Católica decidiu, reunir no congresso de 1937 não apenas os jovens da Espanha, mas também das 20 repúblicas da América Latina. O Conselho expôs a ideia ao Núncio do Papa e, por recomendação do mesmo, em 1936, os membros do Conselho viajaram ao Vaticano e expuseram seus planos ao Papa Pio XI que os abençoou e aconselhou iniciar essa ideia com a formação de dirigentes e líderes para a peregrinação.
Pouco tempo depois iniciou-se a Guerra Civil. A JACE (Juventude Ação Católica Espanhola) continuou com seus planos para realizar a peregrinação, mas não conseguiu realizar em 1937 devido ao clima antirreligioso que tomava conta do país. Em 1939 com o término da Guerra Civil e com o fim do anti-clero, um grande entusiasmo religioso e uma vontade de renovação espiritual tomou conta do país.
Foram 16 anos de preparação, durante este tempo a JACE organizou seis cursos de peregrinos avançados, onde jovens do JACE de Madri vinham dar as lições sobre a teologia da vida cristã. Os Cursilhos de Adelantados de Peregrinos criaram escolas de formação que eram semanais. Os jovens e sacerdotes da Diocese de Maiorca estavam animados pelas então recentes Encíclicas “Mystici Corporis Christi” (1943) e “Mediador Dei” (1947) do Papa Pio XII, e buscavam explicar a verdadeira dimensão do cristianismo a partir da Consciência do que é a Graça de Deus. Nasceu, desta forma, o eixo doutrinário do Cursilho, A GRAÇA.
O método do Cursilho surgiu do seu cunho vivencial, testemunhal, simples e pelo anúncio alegre do Evangelho. Chamado de Querigmático Vivencial. Esse método converteu muitos jovens que participaram dos Cursilhos e estes passaram a atuar na Igreja e na JACE.
Então, em agosto de 1948, foi realizada a chamada “grande peregrinação” que levou mais de 80 mil jovens a Santiago de Compostela e, juntamente com o processo de preparação, foi a base para o início do Cursilho.
Nos dias 7, 8, 9 e 10 de Janeiro de 1949, realizou-se o primeiro Cursilho. Nos 5 anos seguintes, se realizaram com êxito cerca de 83 Cursilhos nas Ilhas Baleares, arquipélago do qual Maiorca faz parte.
Em Junho de 1953 na Assembleia da JACE, o Bispo D. Hervás deu, aos então chamados cursilhos, o nome de Cursilhos de Cristandade. O termo Cristandade tratava-se de uma tentativa de fazer um mundo que se encontrava de costas para Deus transforma-se em cristão. Para isso, era necessário levar Cristo a todos os ambientes e para tal, escolher homens-vértebras, convertê-los nos Cursilhos e recolocá-los em seus ambientes de origem para que lá construíssem uma cristandade.
Ainda em 1953, realizou-se na Colômbia o primeiro Cursilho fora da Espanha. Esse Cursilho reproduziu fielmente o método usado em Maiorca. No mesmo ano, ocorreram diversos retiros, formando cerca de 1.363 novos cursilhistas. A partir da experiência maravilhosa, o Cursilho expandiu para outros países.
Em 27 de Maio de 1966, o Papa Paulo VI recebeu em uma audiência 5.000 jovens cursilhistas, vindos de todos os continentes e representando 25 nações diferentes.  A atmosfera era de grande entusiasmo e essa foi a primeira "Ultréya" ou reunião de caráter coletivo. Hoje o cursilho está presente em, pelo menos, 57 países espalhados pelos continentes.

Cursilho no Brasil

Na semana santa de 1962 aconteceu o primeiro Cursilho de Cristandade no Brasil na cidade de Valinhos, São Paulo. Havia um clima de renovação pastoral e assim o Cursilho encontrou um terreno preparado para uma notável expansão.
O primeiro retiro do Cursilho realizado na cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, foi em 16 de maio de 1974 somente para os homens e em 13 de junho do mesmo ano, realizou-se o primeiro retiro para as mulheres

Carisma do MCC

“Possibilitar a vivência do fundamental cristão, visando criar núcleos de cristãos que fermentem de Evangelho os ambientes, ajudando-os a descobrir e a realizar a vocação pessoal”.

A Espiritualidade do MCC

- Está centrada em Jesus Cristo, que é manifestação suprema do amor do Pai por seus filhos e filhas, por meio da ação do Espírito Santo;
- É alimentada pela GRAÇA;
- Está empenhada em processo de conversão integral e progressiva dos Cursilhistas;
- Concretiza-se na fermentação Evangélica dos ambientes

O cursilhista é um cristão movido pela ação do Espírito Santo e que busca viver essa espiritualidade, peregrinando em comunhão plena com a comunidade eclesial, seguindo Jesus Cristo e seus ensinamentos. O cristão permite-se impregnar-se pela Graça, a Vida Divina, e a comunica nos ambientes ao qual está inserido por meio do testemunho da Boa Notícia. Vive um processo de conversão e alimenta-se da Palavra de Deus, da Oração e do Sacramentos.

Os objetivos do MCC

Da definição acima extraímos as finalidades do MCC:
- Finalidade Imediata: vivência do fundamental cristão – que significa viver a Graça, a Vida Divina em nós, realizando o Plano de Deus, anunciando seu Reino e seguindo a Cristo;
- Finalidade Mediata: convivência em núcleos/grupos/pequenas comunidades de fé presentes nos ambientes, procurando neles introduzir o fermento do amor, da fraternidade, da justiça, do perdão...;
- Finalidade Específica: Evangelização ambiental, com a qual se procura levar os cursilhistas a ser fermento dos valores do Evangelho nos seus próprios ambientes.

O método do MCC

O método do MCC consiste em:
- Seleção de ambientes e candidatos (Pré-Cursilho);
- Fomento de uma conversão autêntica e progressiva dos cursilhistas (Cursilho);
- Na volta dos que viveram o Cursilho ao lugar de onde saíram, seu acompanhamento nas tarefas de fermentar seus ambientes e sua vinculação vital com os outros cristãos comprometidos (Pós-Cursilho).

O método possui as seguintes características: querigmático, cristocêntrico, testemunhal, pessoal, caminho de conversão, comunitário e indutivo.

As estruturas operacionais

Por estruturas operacionais entendem-se aquelas estruturas que ajudam o Movimento a alcançar seus objetivos. Fundamentalmente são duas: a ESCOLA e os GRUPOS EXECUTIVOS (Diocesanos, Regionais e Nacional).

A Escola de Fé e Vivência (Escola de Dirigentes)

É uma comunidade de cristãos que, desejando ser discípulos, procuram capacitar-se para “conhecer cada vez mais as riquezas da fé e do Batismo e vivê-las em plenitude crescente”. Na dinâmica desse conhecimento incluem-se a convivência fraterna, o estudo da Palavra de Deus e sua conscientização, a planificação racional da ação evangelizadora e os caminhos do MCC para atingir seus objetivos. A Escola é, fundamentalmente, vivencial.
A formação integral dada na Escola, deve abranger:
- Formação espiritual;
- Formação doutrinal;
- Formação social;
- Formação no campo dos valores humanos.

Grupos executivos

São grupos constituídos por cristãos responsáveis pelo MCC nas Dioceses (GED), nas Regiões Pastorais em que está dividida a Igreja no Brasil (GER), e no nível Nacional (GEN). Não são organismos de mando e não exercem qualquer poder, nem têm jurisdição sobre outros grupos. São, antes, sinais e promotores de comunhão e participação.